terça-feira, 5 de março de 2013

por Ricardo C. Teixeira

Esqueça por um instante, taça Guanabara, caso Bruno e etc. Atenham-se aos próximos dois dias, mais precisamente, à reunião do COPOM. Há rumores de que, em médio prazo, haverá a necessidade de se aumentar a taxa básica de juros após longo período de quedas contínuas para segurar o avanço inflacionário. Isto é ruim para as perspectivas de investimento externo, mas, olhando bem detalhadamente, é bem pior do que parece...
Vamos lá...
Dos principais parâmetros para avaliar a saúde macroeconômica de uma nação, a Balança de Pagamentos divide-se em duas “contas” fundamentais, a balança comercial, que é representada pela aritmética resultante das importações e exportações e o saldo em conta corrente, que é a aritmética resultante do fluxo de divisas que entram e saem deste mesmo País.
Com os “poderosos” 0,9% de crescimento do PIB, nos é somente passada uma informação absoluta e vaga de desempenho, mas, na verdade, a análise é muito mais profunda.
O que nosso desempenho industrial, somado ao peso de nossa máquina estatal e ao terrível “custo Brasil” que está diretamente relacionado à nossa infraestrutura ainda precária normalmente nos levaria, é a um cenário pior, ou seja, de “decrescimento” econômico. Então a pergunta que não quer calar é a seguinte: Ricardo, por que então conseguimos, ainda que palidamente, registrar crescimento da economia no ano que passou? A resposta? Consumo meus caros...
O aumento da largura da “banda de classe média” nos permitiu mais renda e acesso fácil ao crédito e, consequentemente, o estouro da onda de consumo. Isto é ruim? Não! É ótimo termos o aumento da capacidade de compra da população. O problema meus caros, é que o aumento do consumo precisa se sustentar, ou seja, a oferta encontrar a demanda. Como isto poderá ocorrer em um País onde a atividade industrial naufraga?
É aí que retornamos ao primeiro parágrafo. Para conseguir aumentar a curva de oferta e absorver o consumo crescente, importamos mais meus caros...
Importando mais, nos aproximamos da condição de déficit da balança comercial...
Com déficit na balança comercial, influímos negativamente no saldo da Balança de Pagamentos...
Para compensar a BP, aumentamos nosso lastro em moeda estrangeira para valorizar o Real...
Valorizando o Real, dificultamos novos entrantes em nossa economia...
Com menos empresas entrando, nossa indústria não cresce...
Um doce para quem adivinhar o impacto no aumento da Selic para a mesma e velha combalida indústria Brasileira?


Ricardo Campelo Teixeira é engenheiro de produção.

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